Day trips de Dubrovnik – II

Ainda existem dois outros passeios de um dia que podem ser feitos saindo de Dubrovnik que acho muito interessantes:

a) Montenegro: um dos mais novos países do mundo, Montenegro declarou independência da Sérvia em 2006, então tem apenas cinco anos de idade. Muito mais pobre que a Croácia, o país ainda está se reorganizando e se abrindo aos poucos ao turismo., então ainda tem uma estrutura bem mais simples. Entretanto, tem um território igualmente bonito, com quase 300 km de praias do azul Mar Adriático e com uma das mais diferentes belezas naturais da Europa, que é a Baía de Kotor. Cercada pelo fiorde mais ao sul da Europa, tem uma paisagem de tirar o fôlego e vale a pena circundá-la de carro para ter uma ideia da grandeza e da magnitude deste espetáculo da natureza.

Os fiordes na lindíssima Baía de Kotor

Bem no centro da baía, que é um World Heritage Site pela Unesco, duas ilhotas chamam a atenção, uma com uma igreja em cima: Sveti Juraj (São Jorge) e a de Gospa od Škrpjela (Nossa Senhora da Rocha). A primeira é natural e a segunda foi construída em perfeita simetria com a outra pelo homem (sobre navios afundados e pedras trazidas pelos marinheiros, reza a lenda), para que parecessem os olhos da Virgem Maria.

As duas ilhotas no meio da baía

A cidade de Kotor, que fica alguns quilômetros para frente, é uma das cidades medievais mais bem preservadas do mundo e para entrar no seu centro, há duas portas, uma delas uma espécie de ponte levadiça, que fica sob um fosso de águas verdes muito bonito. A cidade amuralhada é inteira cercada e um dos seus lados é uma montanha, o que faz dela ainda mais bonita. Dentro dela, restaurantes e lojinhas dividem espaço com hordas de turistas que chegam diariamente em navios de cruzeiro.

A vista de cima da muralha que cerca Kotor. Ao fundo, a cadeia montanhosa que delimita um dos lados da cidade

Outra cidade muito visitada é a litorânea Budva, uma cidade maior que fica lotada de russos e europeus do leste do verão, contando com muitos bares, praias de pedregulhos e uma agradável avenida para passeio na beira-mar, além de um porto onde estavam parados alguns dos maiores iates que eu já vi na vida.

Uma das pequenas praias de budva fica bem em frente à cidade murada e é dividida entre dois clubes de praia, com espreguiçadeiras, bar e muita música eletrônica russa (além de Maria Gadú, que andava tocando horrores por lá...)

Final de tarde em Budva

Saindo da cidade para o sul, está uma ilhota ligada ao continente por um istmo, chamada de Sveti Stefan. Era uma pequena comunidade de pescadores centenária, que foi transformada em um sofisticado hotel no século 20, quando tinha frequentadores como estrelas de Hollywood e a realeza europeia. Na década de 90, seu apelo desapareceu, mas recentemente foi comprado pela sofisticada rede Aman Resorts, que criou ali um dos seus famosos hotéis seis estrelas, com diárias que começam em 800 dólares.

Outros pontos turísticos são as cidades de Herceg Novi, Stari Bar e Perast, além das florestas, lagos e cânions do interior do país, com destaque para o Durmitor National Park, um lugar maravilhoso para ski no inverno e hiking no verão, com vistas para o cânion profundo de Tara. A capital, Podgorica, não tem grandes atrativos turísticos.

O comércio de rua em Herceg Novi

Uma ruazinha típica do país

Como chegar lá: alugue um carro em Dubrovnik, com GPS e dirija cerca de 40 minutos até a fronteira. Bem na fronteira, compre um mapa de Montenegro por 3 euros e você conseguirá se virar super bem (atenção: o GPS funciona super bem até ali, dali em diante, é bem falho, então o mapa é essencial). Se não quiser dirigir, a primeira opção é pegar um tour em uma das agências locais, como a Atlas e a Montenegro (custa cerca de 60 euros por pessoa) e a segunda, infinitamente melhor e super recomendada por mim é marcar com a empresa Cheap Dubrovnik Tours, que por 150 euros, te leva aonde você quiser no país vizinho, com um motorista que fica te esperando (esta dica vale para todos os passeios. Eles são super profissionais e o preço é metade do que cobram os motoristas dos hotéis para fazer a mesma coisa).

– O país aceita euros, o que facilita muito a vida do viajante.

– Se você encontrar um mercado de rua, não deixe de comprar as cerejas secas típicas do país. São de comer rezando. E não, a cerveja (chamada por eles de pivo) não é encontrada gelada em lugar algum…

b) Mostar: a cidade, que fica na Bósnia-Herzegovina, virou um dos símbolos da guerra da década de 90, em virtude de uma imagem que ganhou o mundo: a belíssima ponte sobre o rio Neretva, que liga os dois lados da cidade foi bombardeada bem no meio, demonstrando em uma só imagem o que o conflito fez ao pequeno país. Mostar tem grande influência otomana, tanto na religião quanto na cultura, gastronomia e arquitetura.

Seu centro histórico possui bazares, mesquitas e vários restaurantes à beira do rio Neretva, de águas muito verdes. Os principais pontos turísticos são o Old Bazaar, a Turkish House e as várias mesquitas, além da famosa ponte Stari Most (Ponte Velha), que é o ‘centro’ da cidade. O nome da cidade, inclusive, significa Guardiã da Ponte.

Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, a Stari Most esteve em pé por mais de 420 anos, tendo sido destruída na guerra de 1993. Enquanto esteve derrubada, havia uma ponte de cabos de aço fazendo a ligação, mas com o fim da guerra, ela foi restaurada, terminando-se em 2004. A ponte é só para pedestres e une os dois lados da cidade velha, separada pelo rio Neretva, um rio profundo com águas em um verde esmeralda incrível e águias muito geladas. É tradição na cidade meninos ficarem esperando turistas darem dinheiro em cima da ponte e pularem lá de cima no rio, de uma altura de mais de 30 m. Dizem ainda que todo homem que mora na cidade tem que pular de lá ao menos uma vez na vida, para provar sua masculinidade.

A melhor vista da cidade é da Mesquita Koski Mehmed Pasa, ao norte, também local de onde se tiram as melhores fotos da ponte. Pague 2 Bosnian Mark para subir pelas escadinhas íngremes do minarete para poder fazer isso. Mostar fica em um país extremamente sofrido, que passou por mais mortes, estupros e torturas do que podemos imaginar, então encontrar cemitérios pelas estradas com centenas de lápides de 1992 e 1993 é extremamente comum, assim como ver casas destelhadas e abandonadas, prédios destruídos e marcas de balas nas paredes.

Entretanto, o país vem se reconstruindo aos poucos e Mostar é um dos exemplos deste esforço, pois tudo o que está lá foi refeito nos últimos quinze anos. Se você pegar um tour privado, vale a pena passar ainda em Medjugorje, lugar de peregrinação religiosa que atrai milhares de visitantes anualmente.

Como chegar lá: alugue um carro em Dubrovnik com GPS e dirija até lá. Em todos os fóruns do TripAdvisor e Lonely Planet, dizem que as estradas são boas e seguras, já tendo sido integralmente reconstruídas. Os que visitaram são unânimes em dizer também que não há perigos no caminho e, muito menos, na cidade. Se não quiser dirigir, indico novamente a empresa Cheap Dubrovnik Tours, que te leva até lá pelos mesmos 150 euros.  A moeda do país é o Bosnian Mark.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s