Onde ficar em Paris?

Indicar um hotel para alguém sempre é algo arriscado, porque cada um tem um gosto e aquele hotel super badalado que você descobriu no Meatpacking em Nova York pode acabar sendo uma péssima dica para seu amigo que adora hotéis de rede ou para sua irmã, que é fã de decoração mais tradicional.

Eu acabo sempre escolhendo o hotel baseada na localização e na decoração (e no preço, bien sûr…) e muitas vezes acabo não indicando para ninguém, porque acho que o perfil da pessoa não combina com lugares um tanto exóticos que eu acabo gostando.

Escolher um hotel em Paris é uma das tarefas mais ingratas de um turista, pois tudo é muito, muito caro, desde as pensões pulguentas aos hotéis palácio e grande parte do que existe entre estes dois extremos vai te decepcionar em algum ponto.  Já fiquei em albergue que ficava depois da última estação do metrô, já fiquei em hotel super sofisticado  perto do Arco do Triunfo que tinha furos no lençol e tapete manchado e já ouvi inúmeras histórias de pessoas que tiveram experiências bizarras na cidade-luz, o que me dá um certo medo de escolher um hotel.

Procurando um hotel design e de melhor preço (sim, eu sei que essas duas palavras raramente andam juntas…), acabei encontranto o Hotel Le Bellechasse, que já havia lido em várias revistas e sempre havia tido a impressão de que não cabia no meu bolso.

A meia quadra do Musée D’Orsay, a três do L’ Atelier de Joel Robuchon (duas estrelas no Michelin, must-go para que gosta de gastronomia) e a mesma distância da Avenue de Saint Germain, com o bônus de três estações de metrô num raio de 200 metros, o hotel está numa localização perfeita para quem adora caminhar pela cidade, já que dá para ir a pé para diversos pontos turísticos.

Com apenas 34 quartos, o Le Bellechasse foi decorado pelo estilista Christian Lacroix, em um estilo moderno e bem extravagante, com cores fortes, papéis de parede muito coloridos e mobília super novinha (item muito raro por lá), com cama ótima, lençóis de primeira e ar-condicionado silencioso (item ainda mais raro). O espaço é pequeno, mas ainda assim, bem agradável e o wi-fi é gratuito.

Membro da sofisticada Small Luxury Hotels of the World, tem diária que costuma não ultrapassar os 250 euros na alta temporada (para a cidade-luz, isso não é um valor alto para conforto, believe me…) e na baixa pode chegar a 170 euros se reservado com antecedência (eu consegui os melhores preços no www.booking.com). Os valores são sem café da manhã, mas nas redondezas há inúmeras patisseries e boulangeries que vendem aqueles croissants e baguetes  típicos parisienses de comer de joelhos.

O staff é formado por jovens de vários países europeus, que falam diversas línguas e que são muito simpáticos em auxiliar em qualquer demanda que o hóspede possa ter, algo que também não é muito comum em hotéis que não sejam cinco estrelas, ainda mais em Paris.

Ah, mas tem uma coisa: em alguns quartos, não há chuveiro na parede, apenas um chuveiro dentro da banheira (daqueles que você solta e tem que segurar na mão para molhar a cabeça) e embora seja um ótimo chuveiro, seria um grande problema para mim se fosse inverno. Então ao reservar seu quarto, se atente para este fato, para não se decepcionar ao chegar lá.

* Recomendo o Le Bellechasse para quem gosta de boa localização, de hotéis pequenos, decoração design e criativa e para casais jovens. Não recomendo para casais mais velhos, para quem prefere hotéis de rede, com decoração mais clássica, atendimento mais formal e concierge sempre à disposição.

Este é o quarto que eu fiquei (e que não tem chuveiro na parede!)

Hotel Bellechasse Saint Germain Paris

8 Rue de Bellechasse
75007 Paris. France

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Marché aux Puces

Eu já tinha ouvido falar muito do Marché aux Puces de St. Ouen de Paris e  como adoro antiguidades, achei que valia a pena ir até lá para conhecer o tão famoso mercado.

Quando comecei a pesquisar, descobri que não é um mercado só, mas sim, diversos mercados em uma mesma região, formando um labirinto de lojas e barraquinhas, que vendem de prataria a roupas usadas, passando por móveis sofisticados, objetos e livros raros e bolsas Birkin que parece que acabaram de sair da caixa.

Para chegar lá, tem que pegar a linha 4 do metrô, no sentido Porte de Clignancourt e descer na estação de mesmo nome. Ande umas três quadras para o sentido norte (você vai passar por uma praça com uma feira de quinquilharias e falsificações – passe longe dela!), passe embaixo do trilho do trem e entre na rue des Rosiers à esquerda, onde está a maior parte das coisas interessantes.

São muitos mercados: o Biron é especializado em mobiliário Art Nouveau e estilo Napoleão, o Dauphine tem objetos clássicos no térreo e mais modernos nos andares superiores, o mercado Rosiers é especializado em design, o enorme Paul Bert tem de tudo um pouco, o Malik tem roupas usadas e os dois que mais gostei: o Vernaison, que tem objetos para a casa, pratarias e antiguidades em geral e o Serpette, onde estão os antiquários mais caros e exclusivos.

O mercado só abre aos sábados (das 9 as 18), domingos (das 10 às 18) e segundas (das 11 às 17). Vale a pena ir de manhã, quando é mais vazio, e andar por vários deles, pechinchando e aproveitando o dia. Há vários restaurantes na região, para quem quiser almoçar por ali mesmo.

Ah, e para quem tem interesse, as bolsas Hermès ainda com cheiro de novas estão na loja Le Monde du Voyage, no Marché Serpette, stand 15, allée 3. Ele também tem uma infinidade de gravatas e lenços da marca, além de algumas malas de viagem Louis Vuitton e Goyard. Não deixe de conversar com o dono da loja, um senhor muito simpático que sabe detalhes incríveis sobre a história da tradicional casa francesa e das bolsas-desejo e vai te mostrar até mesmo como distinguir uma Birkin verdadeira de uma réplica.

Champagne – II

Quando fiz o post sobre champagne, não incluí nenhum hotel na lista, porque priorizei as dicas para day trips e porque não tinha nenhuma super dica por lá ainda. Hoje acabei de ler no Blog da Maria Sophia uma dica da Sílvia (que sempre dá ideias de moda e faz looks do dia maravilhosos)

“Reims:Les Crayéres

O hotel, Les Crayeres, fica na região da Champagne, na cidade de Reims, a pouco mais de uma hora de Paris.Um pulo né?
Essa  região é fantástica, e como o nome já sugere, lá você vai visitar as principais maisons de champagne , e claro beber muiiito essa bebida, que é uma das mais tradicionais no mundo!São mais de 200 Km de galerias subterrâneas  com mais de 250 milhões de garrafas de champagne armazenadas.Dá pra todo mundo!!!
Lá estão as sedes da Pommery, Veuve Clicquot , Taittinger e muitas outras, e uma visita a uma dessas cavas( ou quem sabe duas ) é um super programa na viagem.Mas isso fica para outro post!
Preciso me concentrar e falar do hotel!Sim ele é incrível e um dos pontos altos dessa viagem!
É um antigo palacete, faz parte da rede  Relais e Châteaux, tem um serviço impecável, café da manhã divino e um dos restaurantes do hotel é 3 estrelas no Michelin!
Cada quarto tem um nome e decoração diferente!Todos lindos e especiais.
Se estiverem em Paris com alguns dias sobrando, não deixem de conhecer essa região!
O site do hotel é esse aqui
Olhem as fotos da fachada e dos jardins do hotel que ela postou:

Não é maravilhoso?

* Para ver o post completo, clique aqui.

Como reservar restaurantes fora do país

A parte que meu marido mais gosta da preparação de viagens (pode ser pra Campo Largo ou pra Londres…hehehe) é escolher lugares para comermos. Passamos horas aos finais de semana procurando dicas de restaurantes na cidade, lendo resenhas e procurando os cardápios, para ver se o local cabe no nosso bolso.

Eu costumava pedir para o hotel reservar para nós o restaurante, logo que chegávamos, mas depois de uma confusão de um concierge, que nos fez perder a única reserva que tinha sido possível no The Standard em NY na semana inteira em que estaríamos lá (detalhe: a única que tínhamos conseguido era numa terça feira, às 23:45, com temperatura abaixo de zero, para ver o quanto eu queria ir lá), resolvi a começar a reservar eu mesma. Muitas vezes, os restaurantes tem serviço de reserva online ou por email, o que já resolve o problema, mas algumas vezes, nem isso tem. O que fazer então?

Resposta: reservar pelo . O site reúne mais de 20 mil restaurantes nas mais importantes cidades dos EUA, em Londres, em algumas cidades da França, Alemanha, Japão, México, Portugal, Holanda, e até mesmo Dubai. Você cria um login, faz a reserva online (eles mostram os dias e horários disponíveis) e uma confirmação vai para seu email cadastrado. Mais fácil, impossível!

Ah, para quem tem os cartões Visa, Amex e Master Platinum, as empresas têm serviço de concierge, que faz reservas também, para quem quiser tentar. Meus pais usam às vezes, mas eu não tive sorte: estou esperando há quinze dias uma resposta deles sobre uma reserva que me prometeram retorno no dia seguinte…e que eu mesma já consegui pela internet!

* Vai lá: www.opentable.com

“Enquanto houver champagne, haverá esperança”

Um famoso jornalista brasileiro sempre falava que, enquanto houvesse champagne, sempre haveria esperança. E a gente é obrigado a concordar, não é mesmo? O que seria dos encontros das meninas sem um rosé? O que seria das inesquecíveis fotos que tiramos nos casamentos dos amigos sem antes tomarmos algumas tacinhas?

Acho que todo mundo gosta de uma boa champagne e conhecer o lugar onde elas são feitas é sempre um programa delicioso para quem vai à França.

A região de Champagne fica no nordeste do país e apenas os espumantes produzidos ali podem receber o título de verdadeira champagne. Dezenas de maisons produzem o vinho, principalmente nas cidades de Reims, Epernay e Troyes, que ficam a aproximadamente uma hora de trem de Paris. Claro que o ideal é ficar mais de um dia na região, que é linda, dormindo em um dos pequenos hoteis de charme que se espalham por ali, mas nem sempre dá tempo de encaixar no roteiro tantos dias fora, então uma ótima ideia é fazer uma day trip por ali, que dá tempo de conhecer o que há de mais importante.

Várias agências de todos os tipos fazem passeios de um dia a Reims e/ou Epernay, de ônibus, van ou carro privativo e para quem prefere ter segurança e horários fixos, sempre é uma boa opção. Para mim, que adoro ter tempo livre, o melhor mesmo é organizar tudo sozinha.

O primeiro passo é checar quais maisons que você quer visitar. Tem as mais famosas, como Veuve Clicquot, Moët e Chandon, Perrier Jouet, Ruinart, Mumm, Krug e tantas outras menores, todas abertas à visitação. Entre no site de cada uma delas e veja os dias e horários em que as caves abrem, porque isso varia muito. A visita com uma degustação ao fim dura em geral uma hora e custa cerca de 15 euros. Há visitas mais elaboadas e com a possibilidade de degustação de vinhos mais sofisticados e aí, o céu é o limite.

A maior parte das maisons exige reserva antecipada, então agende suas visitas com antecedência, ficando atento para o fato de que não dá para ver mais do que duas ou três em um dia só. É repetitivo e gera uma correria que não combina com a viagem a um lugar tão ligado à celebração e ao dolce far niente.

Dá para alugar um carro, mas para quem pretende degustar, o melhor mesmo é ir de trem. O primeiro trem da manhã sai de Paris às 8:57 (cheque o site da SNCF para montar seu roteiro), para em Reims e segue para Epernay, chegando neste destino às 10:30. Uma sugestão de um bom roteiro seria descer lá e visitar a Moët, que fica a cinco minutos a pé da gare (outras boas opções são a Mercier, mais child friendly segundo resenhas no TA, se for o caso, e a Perrier Joet), almoçar na La Cave a Champagne (um conhecido restaurante de lá que tem almoços de dois serviços por 18 euros) e pegar o trem das 12:39 ou das 13:28 para Reims, que leva pouco mais de meia hora para chegar lá. Se resolver almoçar em Reims, o Le Vigneron é bem famoso na cidade. 

Nesta cidade, visite a Catedral de Reims, uma das mais importantes catedrais góticas da França (e dizem, a mais bela de todas), onde os reis da França eram coroados. Só por isso já dá para imaginar sua relevância na história do país. Os vitrais e as mais de 2 mil imagens que adornam a igreja a tornaram patrimônio protegido pela Unesco. A visita é gratuita, mas há um tour que leva a um observatório de 81 metros de altura que é pago e acontece apenas alguns dias na semana. Se tiver tempo, visite o Palais du Tau, a Basilique de Sait Remi ou o Musée des Beaux Arts, então siga para a Veuve Clicquot (a 2 km do centro) ou para a Mumm, bem pertinho da praça central. Depois deste dia maravilhoso, basta pegar o trem das 18:19, que chega em Paris pontualmente às 19 hs.

Ah, uma dica: as lojinhas ao final das visitas oferecem todo o tipo de champagnes possíveis e imagináveis de cada maison, mas são geralmente mais caras do que nos duty frees…

– empresa de trens da França: http://www.sncf.com
– dados de todas as maisons, com links para cada uma delas: http://www.maisons-champagnes.com
– centro de turismo de Epernay: http://www.of-epernay.fr
– centro de turismo de Reims: http://www.reims-tourisme.com
– Catedral de Reims: http://www.cathedrale-reims.com

Mostras em Paris

Vou fazer uma viagem com meu marido em agosto e vamos passar por Paris. Procurando por mostras que estejam em cartaz na cidade, descobri duas muito interessantes: a primeira é no Centre Pompidou, chama Paris-Delhi-Bombay e mostra a realidade da sociedade indiana contemporânea. Aberto diariamente das 11 às 21 hs, fechado às terças.

A segunda, é um pavilhão chamado Chanel Mobile Art, instalado em frente ao lindíssimo Institut du Monde Arabe (um projeto muito bacana de Jean Nouvel). Idealizado por Karl Lagerfeld, criado por Zaha Hadid e patrocinado pela Chanel, o pavilhão já passou por NY e Hong Kong e aterrisou em Paris até o dia 30 de outubro. Além de ser uma instalação linda, que desafia a gravidade, conta com vários dos incríveis projetos de Zaha Hadid para ue os visitantes possam conhecer um pouco desta arquiteta visionária, todos muito diferentes e com o estilo característico da iraquiana, uma das vencedoras do Premio Pritzker. Eu já vi uma retrospectiva dela no Guggenheim de NY, com minha irmã que é arquiteta e me fez ficar fascinada pela criatividade e ousadia de Hadid. 

Se estiver por lá, aproveite e visite o instituto e o delicioso restaurante do último andar, que tem vista linda da Notre Dame e do Sena.

 

O pavilhão, montado em frente ao IMA

(foto divulgação)

Ah, e para quem estiver em Paris até o final de julho, ainda há duas mostras muito interessantes que acabam naquele mês e que eu infelizmente não vou poder ver: para quem gosta de arte moderna, uma estultura monumental de Anish Kapoor no Grand Palais, que ocupa mais de 13 mil metros quadrados e é ‘walk-in’, ou seja, os visitantes passeiam por dentro dela, e para quem é fã de moda, uma outra mostra sobre a estilista Madame Grès, a mãe dos drapeados, com vários croquis e modelos criados pela famosa francesa.